PEC do fim da escala 6×1 ganha fôlego no Congresso e no movimento sindical enquanto empresas já experimentam o modelo 5×2 no interior paulista. O debate deve se aprofundar em comissão especial, com forte articulação de sindicatos e empresários, em meio a desafios econômicos e políticos - foto Reprodução - A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 8/25, da deputada Erika Hilton (PSol-SP), que propõe o fim da tradicional escala 6×1 — em que o trabalhador cumpre 6 dias de trabalho para apenas 1 de descanso — foi encaminhada à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), dando início ao rito legislativo que, posteriormente, deve seguir para comissão especial e depois ao plenário.
O objetivo, disse Motta, é abrir “debate equilibrado e responsável, ouvindo trabalhadores e empregadores”.
A proposta estava “esquecida” numa subcomissão da Comissão de Trabalho, onde propositalmente não chamava a atenção e nem tinha a atenção necessária para “caminhar” na Casa legislativa.
O tema entrou na agenda nacional e tem gerado amplo debate na sociedade, entre entidades sindicais, trabalhadores e representantes patronais.
GOVERNO ENTRA NO DEBATEO governo deve entrar nesse debate de forma mais orgânica nas próximas semanas. Anunciou que, depois do Carnaval, pretende encaminhar projeto de lei em regime de urgência constitucional, o que impõe prazo regimental mais apertado para a tramitação e aprovação da proposta no Congresso.
Além disso, segue em tramitação na Câmara a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê a redução gradual da jornada de trabalho para 36 horas semanais ao longo de 10 anos. O texto está atualmente na CCJ, onde aguarda designação de relator. O parlamentar mineiro, aliás, tornou-se uma das figuras centrais nas articulações em torno do tema dentro do Legislativo.
Do outro lado, a oposição apresentou a PEC 40/25, que busca estabelecer regime mais flexível baseado no total de horas trabalhadas, nos moldes do modelo adotado nos Estados Unidos.
Como se vê, a discussão ganhou dimensões incontornáveis. O debate já está instalado na sociedade. E o Congresso terá de enfrentá-lo, goste ou não, de forma inevitável.
ESPÍRITO SANTOA partir de março, supermercados, hipermercados e atacarejos do Estado do Espírito Santo adotarão nova escala de trabalho, que inclui o modelo 5x2 (5 dias de trabalho para 2 dias de descanso), com o fechamento das portas aos domingos.
Essa mudança é fruto de acordo coletivo firmado entre representantes dos trabalhadores (Sindicomerciários-ES) e do patronato (Fecomércio-ES), em caráter experimental previsto para durar entre 1º de março e outubro de 2026.
PEC NO SENADOA proposta está sendo estudada enquanto outras iniciativas paralelas tramitam também no Senado, onde PEC aprovada pela CCJ da Casa define a redução gradativa da jornada semanal para até 36 horas e a garantia de pelo menos 2 dias de descanso remunerado por semana.
Esta proposta é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS).
De acordo com a PEC 148/15, o fim da chamada escala 6x1 ocorrerá de forma gradual. No ano de publicação do texto, as regras atuais se manterão.
No ano seguinte, o número de descansos semanais passará de 1 dia, como é hoje, para 2 dias na semana e a jornada começará a ser reduzida. Apenas 6 anos depois os novos direitos estarão plenamente instituídos, segundo está no texto aprovado pela CCJ do Senado.
SINDICATOS INTENSIFICAM MOBILIZAÇÃOO debate não se restringe ao Congresso. O movimento sindical tem protagonizado mobilizações e ações para pressionar por mudanças profundas na legislação trabalhista.
O Sindicato dos Comerciários do Estado de São Paulo e a UGT (União Geral dos Trabalhadores), sob a liderança de Ricardo Patah, têm colocado a pauta do fim da escala 6×1 como central na agenda de 2026.
Segundo Patah, a jornada atual é “exaustiva, desumana e incompatível com os avanços sociais e tecnológicos do Brasil”. “Estamos diante de uma questão de sociedade. Que tipo de país queremos construir?”, declarou em entrevista recente, ressaltando que a discussão envolve saúde física e mental, convivência familiar e direito ao lazer.
Em ações sindicais e seminários, Patah reafirmou que a mudança não é apenas trabalhista, mas avanço civilizatório, destacando que sindicatos estão intensificando campanhas para adotar o modelo 5×2 — 5 dias de trabalho e 2 de descanso — e mobilizando trabalhadores em diversas frentes, incluindo redes sociais e articulação política em Brasília.
A jornada de trabalho precisa ser enfrentada no Parlamento”, afirmou, apontando que a sociedade precisa compreender essa pauta não como privilégio, mas como passo para “qualidade de vida e justiça social”.
EMPRESAS DO INTERIOR PAULISTA ENSAIAM MUDANÇASEnquanto a tramitação legislativa se desenrola, empresas se antecipam às mudanças no mercado de trabalho.
Redes de supermercados e varejo farmacêutico no interior do Estado de São Paulo, como a Pague Menos e grandes cadeias de drogarias, adotaram o modelo 5×2, com 2 dias de descanso semanal, reduzindo ou reorganizando o funcionamento das unidades para se adaptar a esse padrão.
Proprietários desses estabelecimentos afirmam que a mudança visa conciliar a geração de empregos com melhores condições de trabalho e retenção de talentos, enquanto trabalhadores relatam melhoria no equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
REAÇÕES E DESAFIOSNem todos os setores veem a mudança com otimismo. Representantes empresariais alertam para possíveis impactos econômicos e operacionais, defendendo negociações coletivas como espaço para ajustes setoriais, em vez de imposição generalizada por lei.
No Congresso, a tramitação das PEC ainda enfrenta etapas cruciais: após análise pela CCJ da Câmara, o texto será debatido em comissão especial, onde poderá receber emendas e ajustes, antes de ir ao plenário para votação em 2 turnos.
Caso seja aprovado, seguirá ao Senado — caminho que demandará novas negociações políticas intensas nos próximos meses.
Na CCJ da Câmara, a discussão gira em torno da constitucionalidade do texto. Na comissão especial, os deputados irão debater o mérito da matéria. No Senado, a CCJ discute, simultaneamente, constitucionalidade e mérito.
“PAUTA DE SOCIEDADE”Para sindicalistas, o fim da escala 6×1 é pauta que ultrapassa os muros das negociações trabalhistas e se confunde com demandas por saúde, bem-estar e justiça social.
“Não é admissível que, em pleno século 21, ainda não tenhamos garantido o direito ao lazer”, reforçou Patah, apontando para a necessidade de novo pacto social sobre trabalho e descanso. (Fonte: Diap)
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