O Nubank desponta como o favorito para comprar a Caixa Geral de Depósitos no Brasil, subsidiária do banco estatal português. O certame, que conta com outros três interessados, ocorre em julho e chegou à sua fase final —a entrega das garantias. (Por Júlio Wiziack) - foto divulgação - Caso seja o vencedor, o Nubank resolverá o impasse imposto pelo Banco Central e não precisará trocar seu nome.
Desde sua chegada ao país, há 13 anos, a instituição se consolidou operando somente como meio de pagamento e crédito. Dados do BC o colocam como o décimo conglomerado em ativos, que totalizavam R$ 368,5 bilhões em dezembro de 2025.
Desde o ano passado, uma portaria do BC proibiu que fintechs e outras instituições financeiras que não tenham licenças bancárias usem qualquer nome sugerindo que sejam bancos.
Como decidiu manter sua marca, o Nubank informou ao mercado que obteria uma licença bancária até o fim deste ano.
Em meio a esse processo, o grupo já tentou comprar o Master e o Digimais, instituições problemáticas cujo prejuízo seria convertido em crédito fiscal no balanço do comprador caso o negócio tivesse prosperado.
Desta vez, o Nubank se habilitou para comprar a Caixa Geral de Depósitos. O braço brasileiro da instituição portuguesa possui ativos totais de R$ 1,8 bilhão, dos quais cerca de R$ 870 milhões são operações de crédito. O patrimônio líquido é de R$ 300 milhões, segundo dados do BC. Falta à CGD um rumo diante da atual situação da matriz.
O negócio, que exigirá cerca de R$ 250 milhões do comprador, servirá para o governo português, dono da CGD, quitar parte de sua dívida. Na crise de 2008, Portugal comprometeu-se com a União Europeia a vender ativos para honrar empréstimos.
Fase finalNo passado, o governo português tentou vender a CGD Brasil, mas as negociações não prosperaram. Agora, o cenário está mais favorável e há quatro interessados na fase final. O desfecho está previsto para julho. Vencerá quem oferecer a melhor proposta.
Na semana passada, a matriz portuguesa exigiu a contratação de fianças dos finalistas, um processo que ocorrerá em duas fases.
Na primeira, os quatro concorrentes apresentaram garantias (carta-fiança) para arcarem com R$ 10 milhões, uma espécie de sinal cujo prazo venceu na sexta-feira (24).
Essa contratação exige algo entre 1% e 4% do valor de face para pagar a instituição que der essa garantia. Grupos de menor porte levam desvantagem no mercado porque pagam taxas maiores.
Quem cumprir essa etapa terá ainda de depositar o restante do valor de suas ofertas em finanças bancárias na última etapa.
Os portugueses acreditam que somente dois interessados avançarão e que, nesse cenário, o Nubank é o favorito.
As garantias são exigidas caso, por algum problema, o comprador não consiga pagar na data do fechamento da operação.
A expectativa é que a operação seja concluída em 2027, após a aprovação de todos os órgãos regulatórios de ambos os países.
Quem disputaAlém do Nubank, Luiz Cesar Fernandes é um dos concorrentes. Para ele, a CGD é uma oportunidade de voltar a ser banqueiro.
O empresário de 81 anos é uma das figuras mais conhecidas do mercado financeiro. Depois de construir sua carreira em bancos como o Bradesco, ele fundou com Jorge Paulo Lemann o Garantia em 1973, que por décadas foi um dos maiores bancos de investimento.
Em 1983, com o rompimento dos sócios, Fernandes fundou o Pactual. Paulo Guedes, ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, foi um dos sócios à época.
Com os negócios próprios afundando, Fernandes perdeu as ações do banco em troca de um empréstimo para cobrir o prejuízo. Em 1998, saiu da instituição, que já tinha se tornado um banco de varejo —o BTG Pactual.
Outra proposta é de Mário Teixeira e Dorival Bianchi, ex-executivos do Bradesco e hoje parceiros na MD Capital.
Ambos foram "homens fortes" do Bradesco até a troca de comando na instituição, no fim dos anos 1990, quando se tornaram investidores. Teixeira chegou a ter um time de futebol (Audax), em São Paulo. Bianchi virou figura conhecida em conselhos de grandes empresas.
Outro candidato é o dono da FS Security, o empresário Alberto Leite. Ele quer fazer um upgrade de sua empresa de tecnologia para o mercado financeiro. A compra da CGD é o caminho, embora analise outras possibilidades.
Leite tem negócios consolidados, mas ganhou projeção por ter, em fevereiro de 2025, adquirido cotas do resort Tayayá ao comprar o controle do fundo Arleen.
Ele afirma que, naquele momento, os irmãos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli já tinham se retirado do negócio.
A aplicação era parte de uma estratégia de investimentos pessoais no ramo imobiliário e durou somente cinco meses.
O empresário decidiu vender sua participação porque o advogado Paulo Humberto Barbosa comprava o controle do empreendimento.
Ele afirma que isso ocorreu muito antes do estouro do escândalo financeiro envolvendo o Master.
O fundo Arleen foi adquirido de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Ambos foram presos em operações da Polícia Federal que investigaram as fraudes praticadas por eles no banco. (Fonte: uol)
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