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Denúncias de violência digital contra mulheres crescem 188% em 2026

23/06/2026
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As denúncias de violência digital contra mulheres cresceram 188% nos primeiros cinco meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. (Por Lucas Borges Teixeira) - Imagem Getty Images -

Os dados são do Ministério das Mulheres com base na Central de Atendimento à Mulher ("Ligue 180"). Entre janeiro e maio, as denúncias subiram de 5.795 em 2025 para 16.725 neste ano, o que colocou violência no ambiente digital como o quinto "local" com mais denúncias no país, "atrás apenas de contextos historicamente mais recorrentes, como o doméstico", informou a pasta.

A maior parte das denúncias foi feita pela própria vítima. Segundo o ministério, os registros mostram predominância de mulheres negras (48%), com maior faixa etária entre 35 a 44 anos (21,6%).

A ministra Márcia Lopes atribui o aumento ao maior conhecimento da população sobre o canal. "A partir do momento que a gente informa quais são essas violências e que tipo de violência que elas podem denunciar pelo Ligue 180, a gente vê esse boom de denúncias sendo realizadas que, por vezes, eram denúncias que estavam subnotificadas. A gente tem esse entendimento."

Os números ajudam o ministério a adotar ações específicas. "Por exemplo, nós temos um dado de que 43% das mulheres evangélicas sofrem violência. Então, temos tido iniciativas [voltadas a este público]. Eu me reuni com 1.500 pastores lá em Nova Iguaçu [RJ], para dizer para eles o quanto era importante que as igrejas evangélicas [entrassem no debate], e a gente tem feito isso pelo país", afirmou a ministra, em café da manhã com jornalistas.

"Fazer essa separação e ter essa leitura nos ajuda a tomar decisões melhores", afirmou Lopes. "Teremos agora um seminário com todos os observatórios do Brasil, das universidades, dos estados, para trazer as evidências, qualificar esses dados, categorizando, classificando e também territorializando. Isso é fundamental. É muito diferente as mulheres pescadoras que sofrem violência, as mulheres [em situação] de rua."

O ministério anunciou mudanças de protocolo e qualificação para o Ligue 180. O objetivo é treinar melhor os profissionais de atendimento para reconhecer especificidades do ambiente digital, como perseguição virtual, invasão de contas e divulgação não consentida de imagens íntimas, incluindo o uso de inteligência artificial para criação de deepfakes.

Cerca de 30% das ligações gerais para o 180 são denúncias —o resto serve para orientação, o que a ministra qualifica como "tão importante quanto". "Por isso nós queremos estimular que as mulheres liguem no 180, porque a própria caracterização de que é violência ou não as pessoas ficam em dúvidas", afirmou Lopes. (Fonte: UOL)

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