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Lucro do Banco do Brasil vem acima do esperado, puxado por tesouraria e empréstimos a pessoas físicas

Resultado de R$ 3,9 bilhões é 3,3% maior que em 2025; banco anuncia JCP. Inadimplência subiu para 5,61% da carteira (Por Júlia Moura)

Em recuperação após a onda de calotes do agronegócio, o Banco do Brasil teve uma melhora no lucro do segundo trimestre deste ano. O resultado líquido ajustado do banco somou R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação com o mesmo período de 2025 e elevação de 13,9% na comparação com os três primeiros meses deste ano.

Puxados pelos resultados de tesouraria, área que administra recursos e faz operações no mercado, e de pessoas físicas, os números vieram acima das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, que previam lucro de R$ 3,776 bilhões.

A margem financeira bruta do banco cresceu 12,1% no ano e somou R$ 27,5 bilhões de abril a junho, impulsionada pelas receitas de crédito, com destaque para o consignado privado.

A tesouraria do banco teve um resultado de R$ 9 bilhões no período, alta anual de 10% e trimestral de 2,1%. A melhora foi puxada por depósitos interfinanceiros e por receitas com juros, negociação de carteiras e marcação a mercado dos títulos da carteira de negociação.

Já a carteira de crédito, que soma todos os empréstimos e financiamentos, ultrapassou R$ 1,3 trilhão em junho de 2026, com crescimento de 0,6% no trimestre e 1,5% em 12 meses.

A linha que teve a maior expansão foi a de pessoas físicas, que alcançou R$ 357,6 bilhões, alta de 4,4% em um ano. O segmento foi impulsionado pelo consignado CLT, que atingiu saldo de R$ 15,7 bilhões.

Em pessoas físicas, o índice de atrasos foi de 8,41%, alta anual de 2,82 pontos e de 1,59 ponto no trimestre, puxado por cartão de crédito.

Empréstimos para pessoa jurídica encerraram o trimestre com saldo de R$ 456,2 bilhões, queda de 2,5% no ano. A inadimplência da linha ficou em 3,18%, queda anual de 0,67 ponto percentual, mas alta de 0,31 ponto percentual em três meses.

O crédito ao agronegócio, por sua vez, atingiu saldo de R$ 421,6 bilhões, alta anual de 0,8%. A maior parte das novas contratações foi feita com alienação fiduciária, diz o banco, alcançando o percentual de 70% na Safra 25/26.

O setor vive uma onda de recuperações judiciais desde 2024, após quebras de safras de grãos em algumas regiões. No verão daquele ano, produtores do Centro-Norte, Sudeste e parte do Paraná tiveram uma estiagem prolongada, dado o impacto do El Niño.

A inadimplência desses clientes ficou em 6,27% em junho, alta de 3,11 pontos percentuais no ano e de 0,05 ponto percentual no trimestre, uma desaceleração em relação aos balanços anteriores. Já os novos atrasos caíram de 1,77% para 1,37%.

"Essa combinação reforça a leitura de que o pior pode ter passado, mas a recuperação não será rápida. O estoque elevado reflete a maturação de safras já problemáticas e a desaceleração do fluxo indica que a qualidade das novas concessões vem melhorando", diz Octaciano Neto, fundador da Zera, consultoria de financiamento privado para o agronegócio.

O índice de atrasos acima de 90 dias do BB como um todo subiu para 5,61% em junho, alta de 1,65 ponto percentual em um ano.

Assim, a provisão de perdas esperadas, um dinheiro que o banco emprestou e que não espera receber, somou R$ 18,831 bilhões, uma alta anual de 8,4%.

O RSPL (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), que mede a rentabilidade do banco, foi de 8,3% no trimestre, 0,1 ponto percentual abaixo do registrado há 12 meses e 1 ponto percentual acima do número de março.

Segundo a presidente do BB, Tarciana Medeiros, o resultado é fruto de uma carteira de crédito com uma melhor relação entre risco e retorno, da diversificação das captações e da alocação da nossa liquidez.

"O aumento das receitas com prestação de serviços ganha potência pela complementariedade do nosso conglomerado e os custos permaneceram sob controle, a partir de um trabalho constante de eficiência, sem abrir mão de investir naquilo que constrói o futuro: pessoas e tecnologia", disse Tarciana na divulgação dos números.

As receitas de prestação de serviços do BB somaram R$ 9,1 bilhões no trimestre, avanço de 3,4% em três meses e de 4,2% no ano, puxadas pela administração de fundos, contas-correntes e operações de crédito e garantias.

Já as despesas administrativas totalizaram R$ 10,1 bilhões, elevação de 0,6% em relação ao trimestre anterior e de 4,1% em um ano, com o maior investimento em pessoas e tecnologia.

JCP

Junto à divulgação do balanço, o Banco do Brasil anunciou o pagamento de JCP (Juros sobre Capital Próprio) de R$ 0,10245643978 por ação. O pagamento, corrigido pela Selic, será feito a quem tiver o papel em 1º de setembro e será efetuado no dia 11 de setembro. No total, serão distribuídos R$ 584,9 milhões.

RAIO-X | BANCO DO BRASIL
Fundação: 1808
Lucro no 2º tri de 2026: R$ 3,9 bilhões
Agências: 3.931
Funcionários: 83.991
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal (Fonte: Folha de SP)

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