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Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa e Região

Os investimentos da FUNCEF em 2020 apresentaram resultados decepcionantes

06/04/2021
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Arte: Marcio Baraldi - 
A FUNCEF  apresentou recentemente  os resultados relativos ao ano 2020, que  foram superavitários e reduziram significativamente  os déficits dos planos Saldado e Não Saldado. Porém faz-se necessário ter uma visão crítica sobre esses resultados, que somente foram bons em função dos ganhos obtidos nos investimentos da VALE, resultados estes que superaram todas as expectativas.

Considerando que as AÇÕES da VALE valorizaram aproximadamente R$ 4,1 bilhões em 2020, na comparação com 2019, e que a FUNCEF apresentou um SUPERÁVIT de cerca de R$ 2,5 bilhões, podemos concluir que se não fosse a VALE o Balanço da FUNCEF teria apresentado DÉFICIT de cerca de R$ 1,6 bilhão. E ainda,  os demais resultados de investimentos da FUNCEF, juntos, teriam sido negativos.

A FUNCEF integralizou R$ 1,2 bilhão em valores nominais (valores não atualizados) na INVEPAR, e este investimento no Balanço da FUNCEF de 2020 foi de somente   R$ 700 milhões, sem atualizar. Conclui-se  que houve um prejuízo contábil de cerca de R$ 500 milhões.

A FUNCEF também integralizou R$ 1,7 bilhão em valores nominais, na NORTE ENERGIA S.A. (Usina de Belo Monte) e no Balanço FUNCEF  2020 esse ATIVO está em  R$ 784 milhões. O prejuízo contábil com o investimento na NORTE ENERGIA já passa dos R$ 916 milhões.

E que mesmo com esses RESULTADOS negativos, quando atualizados, ficam em cerca R$ 7,5 bilhões, a Funcef continua a aportar recursos nessas empresas INVEPAR e NORTE ENERGIA.

Isto posto, conclui-se que o resultado de 2020 ancorado exclusivamente numa empresa é muito temerário para o futuro. E que os investimentos da FUNCEF em 2020 apresentaram resultados decepcionantes.

É um resultado positivo que antecede mais uma catástrofe. que se avizinha para os já sofridos participantes do prejuízos que se realizarão e ficaram evidentes  com os papéis da INVEPAR e da Norte e Energia SA. Recentemente, em uma live realizada pela FENACEF (fundação que representa as AEAs em nível de Federação), os diretores eleitos da FUNCEF deram respostas lacônicas, tímidas e sem consistência para elucidar os questionamentos relativos ao assunto.

A FUNCEF é investidora da INVEPAR desde 2008 e é uma das empresas que gerou prejuízos pagos pelos participantes em equacionamentos.

Em 2019, com os equacionamentos já em andamento (pasmem!), a Funcef investiu mais trezentos e sessenta e nove milhões nessa empresa, quando ela própria Funcef já havia reconhecido que estava quebrada e já havia inclusive  lançado o crédito a prejuízo.
No momento em que a decisão correta deveria ser a de   recuperação judicial. Ao invés disso, a FUNCEF   transferiu a dívida da INVEPAR  para sí.

Não bastasse isso, investiu ainda mais recursos na empresa que sabia não ser capaz sequer de devolver o valor investido, quem dirá pagar os dividendos. E nesse mesmo ano a INVEPAR.

Não bastasse isso, em dezembro de 2020  a FUNCEF aprovou a “reestruturação da INVEPAR” que nada mais é  do que rolagem de dívida para evitar a recuperação judicial.

E logo após a aprovação do processo de reestruturação, a Diretoria da INVEPAR renunciou em massa, e cada diretor levou consigo um tipo de seguro de dez milhões de reais, totalizando cerca de duzentos milhões.

A FUNCEF suspendeu por prazo indeterminado a continuidade da reestruturação. O vencimento das debêntures da INVEPAR, sob o argumento de que ainda há esperanças de recuperar o crédito por uma decisão judicial favorável de retorno das atividades da INVEPAR. Falácia.

Tal suspensão sem prazo da reestruturação é o adiamento “ad infinito” da recuperação judicial que, bem ou mal, poderia ainda tirar algum valor da INVEPAR.

É preciso responsabilizar aqueles que permitiram mais esse desfalque, e afastá-los da gestão da Funcef. Por Valfrido Antônio Oliveira, presidente da AEA-PR (Associação dos Economiários Aposentados do Paraná)

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